...e os sonhos? eram só sonhos...e a vida? a vida continua... e eu? eu sobrevivi...
...obrigada por afagar, com seu olhar e seu carinho meus escritos...

terça-feira, 18 de abril de 2017

Explosão da dor...







...e rompe-se o silêncio
e a mordaça se rasga,
se parte, despedaça
em mil fragmentos...

...e a dor explode
em mil gritos alucinados,
não mais abafados
em prantos escondidos...

...e o choro eclode
e aos turbilhões
verte, desagua
como cascata incontrolável...

...e o coração sangra
ferido, debilitado
trêmulo ofega,
pulsando ainda por ti...
(ania)


quinta-feira, 23 de março de 2017

Profecia...




Mesmo que regras e princípios,
mesmo que motivos e desculpas
não convençam ninguém, nem a mim,
eu volto porque foi redigido
talvez a milênios, profetizado assim...

Volto porque a escuridão me assusta
e a tempestade se avizinha
então retorno sobre mim,
porque foi sacramentado
e há séculos, profetizado assim...


Volto, mesmo com todo o cansaço
que me aniquila e desatina,
porque não sei viver sem ti, sem mim,
porque isso foi escrito
e há cem mil anos, profetizado assim...
(ania)



terça-feira, 7 de março de 2017

Desde sempre...





Desde sempre,
no passar das horas e dias,
no escorrer do tempo,
escrevo na noite
poemas que choram e gritam
como a tempestade que ruge lá fora
e que brada e ecoa dentro de mim...
Desde sempre,
no tanger das horas e dias,
escrevo prá ti poemas
inebriados de saudade,
embriagados de dor...
Desde sempre,
com teu sorriso na memória,
choro com o vento
que embaralha meus pensamentos,
atordoando meus sentidos...
Desde sempre,
como fantasma assombrado,
escrevo em desespero
poemas tantos,
presos,
trancafiados em mim,
ignorados por ti...
(ania)


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Triste assim...





...as palavras fogem dispersas
e as rimas, ariscas, se escondem
nas esquinas sombrias do desencanto

...e os poemas não mais amanhecem em mim...
(ania)


terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Doido festim...






Madrugada...nuvens de chumbo cobrem a lua
feito negro cetim...

...e a brisa para e na memória acentua
lembranças que irrompem feito estopim
que incendeia, que explode, flutua
e envolve em frenesim...

...e o ar fica denso...tumultua
trazendo teu cheiro, tua imagem num doido festim
que entranha na pele e na pele se perpetua...

...e a madrugada se arrasta numa quietude sem fim
lenta, morna, nua
como indolente querubim...

...tudo dorme, só não dorme essa saudade tua,
sempre tão presente em mim...
(ania)



terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Injusto deserto...





Nesse injusto deserto
onde não há  flor, nem cor
meu pensamento transborda
e tudo me fala de ti...

Nesse injusto deserto
não há brisa, nem toque
nem reflorir dos sonhos
que já foram imensidão...

Nesse injusto deserto
nessas horas longas
queria adormecer a saudade
e voltar a sorrir...
(ania)


quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Faz tanto tempo...






Faz tanto tempo
que a canção não mais entoou,
porque não ficou,
porque calou?


...e o meu sorriso, porque levou?
(ania)




sexta-feira, 7 de outubro de 2016

...louco vendaval...







Ando com meu pensamento agitado,
meio disperso, um pouco alienado,
como que sacudido por um louco vento...

...os versos, não saem a contento...
(ania)





domingo, 25 de setembro de 2016

Poesia inacabada, silenciada...





Meus gestos e palavras
são só silencios,
são sombras que te seguem,
mas não se anunciam...
Os versos que componho
são mudos,
são letras amontoadas,
são rimas presas na garganta
são segredos meus,
desmedidos,
de ti escondidos,
carimbados por tua ausência
e minha carência...

Meus gestos e palavras
são só silêncios

são poesia inacabada,

        prá sempre, silenciada!
(ania)




quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Imutável...




Avançam os dias nos ponteiros
implacáveis do tempo
e a vida vai seguindo vazia,
sem rumo, sem nexo...
Marchando acompanhada de antigos,
velhos fantasmas, ranços
de um passado desditoso, dorido,
preenchendo o vazio
desse isolamento em mim,
como se séculos, antes impenetráveis,
agora se descerrassem
e me envolvessem em suas teias...
Não há uma lasca de luz,
nem o sussurrar distante de algum córrego,
nem qualquer vestígio de sons de pássaros
a trinar pelos céus...
Nada mais há...só esse seguir
por longos corredores sombrios,
num silêncio cada vez mais profundo...
Cada vez mais certo,
imutável...
                 definitivo!
(ania)

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

...quantas vezes ainda?




Será que mais alguém sente
essa dor dormente
ou só a mim pertence
essa sina
que me desatina
me amofina?

Quantas vezes ainda
essa dor infinda
será que nunca finda
essa saudade que dói
que o peito rói
e a alma destrói?

quantas vezes mais a alma destroçada
em frangalhos rasgada
em pedaços costurada...
sempre puida
quase destruida
e novamente cerzida?

quantas vezes mais esse desfio
até não sobrar mais fio
sobre fio?

Insano desafio...

...rasgos em mim,
me faz assim:

                 alma e traços
                 em pedaços,

mas sem fim!
(ania)



terça-feira, 9 de agosto de 2016

Nada mais será...





Não serei mais poesia nascente
em versos a atrair
nem magia iridescente
em musa a seduzir...

Não serei mais flor latente
em jardins a florir
nem vento dormente
pelos campos a fluir...


Não serei e tudo secará
e nada mais será...


Ficarei assim indolente
calada a definhar
feito semente
que esqueceu de germinar...
(ania)


terça-feira, 26 de julho de 2016

De onde chegam esses ventos...




De onde chegam esses ventos
que só trazem essa eternidade vazia
que me mete medo e enlouquece
com essa tua ausência
que não cabe em mim...

De onde chegam esses ventos
trazendo tormentos e angustias
e esse maldito partir do tempo
que escorre pelas sombras
e que se extingue em mim...

De onde chegam esses ventos
varrendo e açoitando madrugadas
a se ocultar no nada
dessas sombrias e insanas noites
que não adormecem em mim...

Por onde andaram esses ventos
que aqui chegaram exauridos,
sem nada...nada de você
prá regar essa teimosa flor,
que ainda floresce em mim!
(ania)